terça-feira, 13 de setembro de 2011

Jequitibá



Escrevi uma poesia sem asas,
Para esquecer de voar.
Uma poesia encravada na terra,
De raiz profunda,
Escrevi um jequitibá.

Nunca escrevi uma árvore,
E árvores não sei desenhar,
Também nunca fui uma
Ainda não aprendi a enraizar.

Cansei do sem fim do céu,
Agora escrevo sobre o que posso tocar,
Não vou mais me perder em versos alados,
Quero uma sombra pra descansar.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Sempre-Vivas

Não morro inteira
Porque quero sempre vivas no meu jardim.
Quero janeiros
E margens de rio.

Quero um dia parar
E encontrar teu nome riscado a giz
Na calçada da frente.
Teus olhos infantis
Sublinhados nos meus,
Nossos passos lado a lado.

As flores ensolaradas
Com as asas da manhã.

sábado, 6 de agosto de 2011

Por um triz

Para a felicidade eu não tenho escrúpulos,
Eu te dou meu peito,
Entrego o que é teu de direito.
Te encho de sorrisos
E meio sem jeito
Eu fico feliz.

Mas é por um triz.

Porque tenho medo
Desse jeito estúpido
Que te acompanha,
Desses tantos venenos
Que a tua língua solta,
Desses teus dedos
Que me rodopiam,
E que descuidados
Não me aliviam,
Me fazem tonta
Cair no chão.

Mas é por um triz.

domingo, 31 de julho de 2011

Ameixas


Mordo a ameixa
Como se fosse um pedaço de boca,
Macia, vermelha, doce.
Sinto no fim um amargo gosto de casca,
Fazendo-me estremecer.
Podia comer todas as ameixas do mundo
E sonhar que são bocas,
E assim comê-las todas também...





sexta-feira, 13 de maio de 2011

Expressionismo

No baile da vida
Minha cadeira é cativa,
De longe acompanho o rodopio do salão.
Cansei de rodar sozinha,
Não sei dançar o dois pra lá dois pra cá.
A roda da saia amarela,
(Sol em chamas queimando pele)
Deita no colo parado
E acompanha o cruzar de pernas,
Farfalha no bater do pé.
A mão irrequieta procura poesia
Mas a vida é.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

No país das maravilhas



Não há mais nada.
É como uma Alice pós-moderna,
Pré-Balzaquiana que eu digo.
Não há pra onde crescer,
Não há como sentir-se menor.
Nesta mesma pele eu mudei tanto
Que não reconheço mais no espelho o meu passado.
O tempo não fez as pazes comigo
E eu não possuo chaves,
Não encontro portas.
Nenhum gato de cheshire com sorriso de meia-lua
Nenhuma rainha de copas jogando croqué.
Encontro apenas miséria e desamor.



_Uma Alice Amargurada_é o que sou.
Na fila do ônibus,
Adormecida na cama vazia
Despertando antes de por fim aos sonhos...
Sem lebre de março,
Sem lagarto fumando narguilé,
Sem encanto.
Uma Alice sem coelho branco.

Sala de Espera

Esse não sei o quê não sei o que é,
Bate e cala,
(Bate o coração, mas a boca cala).
Espera de não saber o que esperar,
Nem de mim nem dos outros,
A vida bate ponto todo dia,
E ela não dorme comigo,
A vida não para nunca,
Eu mesma já desisti de acompanhar,
Mas esse não sei o quê sem fim
Insiste em perturbar minha paz de desistente,
Eu já disse que nem quero saber,
Mas a sala é de espera,
E eu estou sentada lendo uma revista,
Aguardando a minha vez,
(De quê eu não sei)
A vida me arrastou até aqui e não entende que eu já desisti,
Que eu preferia estar ao sabor do vento,
(Ah, lá fora pela janela eu vejo: tem um pipoqueiro me esperando).
Tomara que chegue logo a minha vez,
Eu detesto filas, detesto esperas, detesto revistas velhas.
Eu gosto é de sol, de infância, de circo chegando à cidade,
Em algum momento,
Ainda com sono,
Sem perceber,
Eu devo ter dito sim,
E vim parar aqui,
Eu juro que me enganei,
Mas parece que não dá para mudar de idéia,
(O pipoqueiro se foi, e eu aqui com uma vontade danada de correr atrás dele).